MEDIDAS DE CONTENÇÃO
Prefeitura de Araguaína inicia operação para conter tilápias invasoras no Córrego Neblina e evitar dano ambiental à fauna do Lago Azul
Medida busca impedir a rápida reprodução dos peixes, que se alimentam inclusive de ovas de outras espécies, e evitar impacto sobre a recomposição que vem sendo realizada há quase 10 anos
A Prefeitura de Araguaína iniciou nesta terça-feira, 22, uma operação para conter a presença de tilápias no Córrego Neblina e evitar que os peixes avancem para outros pontos do sistema hídrico e provoquem impactos sobre a fauna do Lago Azul. Técnicos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente instalaram uma rede de contenção nas proximidades da Avenida Tocantins para iniciar a captura dos animais.
O prefeito Wagner Rodrigues esteve no local e explicou que a situação chamou a atenção depois que um morador registrou em vídeo a presença dos peixes no Córrego Neblina. Neste momento, a equipe vai atuar no trecho entre a foz do Neblina e o ponto onde a rede foi instalada, com a intenção de capturar as tilápias, principalmente para retirar matrizes e impedir a reprodução.
“Essas tilápias não são espécies nativas daqui. Nossos biólogos estão investigando de onde elas vieram. Uma das hipóteses levantadas é que algum criatório tenha sido atingido ou rompido durante as chuvas. Outra possibilidade investigada é que as tilápias tenham feito o caminho contrário, saindo do Lago Azul e subindo pelo córrego”, alertou Wagner.
Problema está na reprodução no ambiente natural
O biólogo do Município, Anibal de Souza Neto, explicou que a tilápia não tem sua produção ou comercialização proibida no Tocantins, mas existem regras específicas para a comercialização de alevinos justamente para reduzir o risco de reprodução descontrolada. Esses peixes devem ser submetidos à reversão sexual, processo que busca garantir uma população predominantemente masculina e evitar a reprodução nos criatórios.
A suspeita, neste caso, levanta ainda a hipótese de que tenha ocorrido alguma falha nesse processo e que fêmeas tenham chegado ao ambiente natural. “Essas aqui a gente sabe que estão subindo do Lago Azul para cá. E todas elas estão em postura. Então, alguém deve estar comercializando o alevino de maneira errada, porque tem fêmeas no meio, desrespeitando a legislação”, afirmou Aníbal.
Desbalanceamento da fauna do Lago Azul
A preocupação ambiental está relacionada principalmente à capacidade de reprodução da tilápia e ao comportamento da espécie. Segundo Aníbal, a tilápia protege os próprio filhotes, aumentando a possibilidade de sobrevivência. Ela também pode interferir nas condições do ambiente ao remexer o fundo dos cursos d’água, competir com espécies nativas e mesmo comer as ovas de outros peixes.
“A taxa de reprodução dela e o sucesso do desenvolvimento dos filhotes são muito maiores do que a do predador. Então, espécies como pintado, o tucunaré e a piranha podem ser superadas em número rapidamente, comprometendo o trabalho que estamos realizando na recuperação da flora nativa do Lago Azul.”, explicou.
Todas as tilápias capturadas serão levadas inicialmente a um criadouro.
Lago Vivo
O Projeto Lago Vivo já reintroduziu mais de 200 mil peixes de espécies nativas extintas no Lago Azul. Uma das preocupações do projeto foi com as espécies a serem reintroduzidas, para que fossem adequadas às condições do local. Foram recriados e estão sendo devolvidos os peixes tambatinga, pacu-caranha, piau, surubim, matrinxã, pintado e curimatã, espécies nativas das bacias do Rio Lontra e seus afluentes.
Houve ainda a soltura de aproximadamente 2.000 peixes, pesando de 500 gramas até 12 kg, desde a Semana Santa, abastecendo o lago para o evento que permitiu a retirada para alimentação e também foram atrações durante o torneio de pesca esportiva nos últimos dias.
Além da soltura de peixes adultos e alevinos, o projeto também tem realizado diversas ações de limpeza e conservação do lago, com a remoção de lixo, além da manutenção da praia e da Via Lago.
Com exceção de eventos programados pela Prefeitura, o decreto número 161/2019 proíbe a pesca predatória no lago, sendo permitida apenas a pesca esportiva. Também é necessário o Cadastro de Pesca Esportiva do Lago Azul e a Carteira de Pescador Esportivo do lago, que são geridos pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Agricultura, Meio Ambiente e Turismo. Os documentos podem ser obtidos no site da Prefeitura.



( Ascom Prefeitura de Araguaína)