Empreendedorismo feminino
Araguaína conta sua história: mãe de trigêmeos, comerciante do Mercado Municipal encontrou na cidade uma oportunidade de recomeçar
História da moradora Olinda Aires Fragoso Maia, proprietária da Dona Lindinha Coxinhas, representa milhares de trabalhadores que somam forças na construção da Capital Econômica do Tocantins
Após deixar o emprego para acompanhar os trigêmeos recém-nascidos, Olinda Aires Fragoso Maia procurou no empreendedorismo uma maneira de manter a renda e encontrou uma inovação. Proprietária da Dona Lindinha Coxinhas, instalada no Mercado Municipal, ela é a primeira personagem da série “Araguaína conta sua história”, dedicada a quem transforma a cidade, em celebração aos 68 anos de emancipação.
Olinda participa atualmente de iniciativas da Prefeitura e esteve presente no Festival Gastronômico de Araguaína, oferecendo entre outros produtos a sua coxinha gourmet de massa de banana-da-terra, recheada com carne de sol e muçarela. O conhecimento para chegar ao sucesso, no entanto, foi impulsionado pela necessidade com a bem típica determinação do povo brasileiro.
A chegada dos trigêmeos mudou a rotina e os planos profissionais de Olinda. Mãe de quatro filhos, ela já tinha um menino, hoje com 8 anos, quando se tornou mãe dos três pequenos, atualmente com 3 anos. Com a nova configuração familiar, conciliar o trabalho fora de casa e os cuidados com as crianças se tornou um desafio. A solução foi apostar em uma habilidade que já fazia parte de sua história: a produção de salgados.
Natural de Araguaína, Olinda deixou a cidade aos 15 anos, quando se mudou com a mãe e o irmão para a capital São Paulo em busca de melhores oportunidades. Lá, casou-se, teve o primeiro filho e construiu parte da vida profissional. Depois de aproximadamente 16 anos, retornou ao município no início de 2019, e aqui viu uma cidade completamente diferente da deixada, agora transformada e cheia de oportunidades.
A psicologia deu lugar ao avental
Formada em Psicologia, começou a trabalhar na área de neuropsicologia, mas a pandemia interrompeu os planos. Depois, voltou ao mercado de trabalho na área de Recursos Humanos, onde já tinha experiência. Alguns anos mais tarde, após uma tentativa de mudança profissional, engravidou dos trigêmeos e passou um período dedicada à família.
Quando tentou retornar ao mercado de trabalho, a rotina com as crianças pequenas tornou difícil conciliar as atividades. Olinda chegou a trabalhar por quatro meses, mas decidiu pedir demissão e investir no próprio negócio. “Vou abrir minha lanchonete porque esse é o tempo deles, não é mais o meu por enquanto”, contou a empreendedora.
A experiência com salgados, no entanto, já fazia parte da sua história. Durante o último ano da faculdade, enquanto cumpria os estágios obrigatórios e não conseguia assumir um emprego convencional, aprendeu a fazer coxinhas para ajudar nas despesas. A atividade se transformou em uma habilidade que aperfeiçoou ao longo de aproximadamente 10 anos.
A ideia inicial era montar a lanchonete na área da casa onde mora, que pertence ao irmão. Mas uma oportunidade surgiu no Mercado Municipal, pois um conhecido da família tinha um ponto disponível e aceitou cedê-lo para que ela começasse a atividade.
O início foi cercado de dúvidas. Na parte superior do mercado, onde predominam estabelecimentos voltados à alimentação durante o almoço, Olinda apostou em uma proposta diferente, com opções de lanches e café da manhã. “Eu tive muito medo, mas vim mesmo assim. Falei: vou com medo mesmo”, lembra.
A aposta começou a dar resultados à medida que os clientes conheceram os produtos. Além das coxinhas, preparadas com massas de batata e mandioca, o cardápio passou a incluir tapiocas, cuscuz e outras opções. O diferencial está na proposta de oferecer produtos com características gourmet.
O que começou como uma fonte de renda complementar para ajudar o marido passou a atrair uma clientela maior. O reconhecimento dos consumidores também trouxe a necessidade de ampliar os investimentos, com pedidos por delivery e clientes que retornam ao estabelecimento.
Um dos fatores que contribuíram para o desenvolvimento do negócio foi a possibilidade de utilizar um espaço comercial sem arcar com o custo de aluguel mensal. Para Olinda, essa condição representa uma economia importante e permite direcionar recursos para a melhoria dos produtos e da estrutura.
“Eu não pago um aluguel todo mês. Aqui a gente tem o imposto, mas não paga aquele aluguel todo mês e isso já ajuda muito”, explica.
Festival Gastronômico ampliou visibilidade
A participação no Festival Gastronômico de Araguaína, realizado pela Prefeitura em parceria com o Sebrae, representou outro momento importante para a Dona Lindinha Coxinhas. O evento permitiu que Olinda apresentasse seus produtos a um público maior, conquistasse novos clientes e estabelecesse contatos que continuam gerando encomendas.
Ela também participou dos treinamentos oferecidos pelo Sebrae aos empreendedores envolvidos no festival, com orientações sobre técnicas de preparo e manipulação de alimentos. “Então acrescenta em conhecimento, em técnicas, manipulação. E eu acho que isso mostra para as pessoas o quanto elas podem ir além”, avalia Olinda.
A repercussão foi tão positiva que a capacidade de atendimento chegou a ser um desafio. Depois do evento, clientes relataram que não conseguiram experimentar os produtos por causa da fila de espera.
“Pessoas falavam: ‘Olha, no festival estava uma hora e meia a sua fila, eu não consegui comer’. Então, isso vai mostrando para a gente que a gente pode ir além”, conta.
Para Olinda, iniciativas de incentivo ao empreendedorismo ajudam a transformar pequenos negócios em oportunidades concretas de crescimento. A experiência também mudou sua própria perspectiva sobre o futuro profissional.
“Você pode começar uma coisinha simples, mas, se quiser e tiver esse incentivo, vai muito mais longe”, afirma.
Uma cidade que também mudou
A transformação de Olinda acompanha as mudanças que ela encontrou ao retornar a Araguaína. Depois de mais de uma década longe, a cidade que deixou na adolescência era muito diferente daquela que encontrou em 2019.
Ela destaca o crescimento urbano, a chegada de novos empreendimentos e a Via Lago, com ampliação das oportunidades de trabalho. A experiência profissional na área de Recursos Humanos também contribuiu para perceber o potencial econômico do município. “Quando eu retornei, fiquei surpresa. Eu me apaixonei pela cidade de novo”, relata.
Mas foi principalmente como mãe que passou a enxergar outros motivos para permanecer em Araguaína. A rotina mais tranquila, em comparação com a agitação de São Paulo, e as oportunidades de desenvolvimento dos filhos pesaram na decisão de construir novamente sua vida no município.
Atualmente, os trigêmeos estudam na rede municipal de ensino. “Pros meus filhos oferece uma qualidade de vida muito melhor. A vida em São Paulo é muito corrida, muita gente agitada. Então aqui é uma vida melhor, mais tranquila. Meus filhos agora entraram na Luz do Tocantins e eu estou superfeliz com o desenvolvimento deles lá”, destaca.

(Ascom Prefeitura de Araguaína)
