Conscientização
“É preciso ensinar desde cedo”: servidor destaca importância do diálogo sobre violência contra a mulher em Araguaína
Encontro promovido pela Prefeitura e Polícia Militar reuniu homens para discutir respeito, prevenção e responsabilidade na quebra do ciclo da violência doméstica
A experiência de ser criado por uma mãe solo e, hoje, também ser pai de uma menina de 7 anos e de um adolescente de 14 anos faz o servidor público Raimundo Júnior olhar de forma especial para as discussões sobre respeito às mulheres e prevenção da violência doméstica. Para ele, ensinar os filhos sobre como tratar e se relacionar com as mulheres é uma responsabilidade que começa dentro de casa.
Ele foi um dos servidores homens que participaram, nesta quinta-feira, 17, do encontro “De Homem para Homem: Quebra do Ciclo da Violência Doméstica”, promovido pela Prefeitura de Araguaína, por meio da Secretaria Municipal da Mulher (SEMUL), em parceria com a Polícia Militar (PM). A atividade foi realizada na Faculdade Católica Dom Orione e reuniu servidores homens de diferentes secretarias e órgãos municipais.
A iniciativa busca criar um espaço de diálogo com os homens sobre prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher, estimulando atitudes de respeito, responsabilidade e reflexão sobre comportamentos que podem contribuir para a manutenção do ciclo de violência.
Para Raimundo, a própria história familiar ajuda a entender a importância desse tipo de conversa, e agora tem a missão de passar aos filhos. “Eu tenho muito cuidado com relação a isso, dele saber tratar, como lidar com a mulher. De passar para ele, porque a gente vê que a sociedade ainda é muito machista”, afirma sobre a educação do filho.
Equilíbrio na formação dos homens
Ao mesmo tempo em que reconhece a necessidade de combater comportamentos machistas, Raimundo defende que a formação dos meninos também precisa considerar o equilíbrio na construção da masculinidade. “Eu vejo excessos na televisão. A gente vê um excesso, eles falam ‘woke’, militâncias, esses apelidos, mas a gente também vê que está muito de um lado e de outro”, relata.
Na avaliação dele, encontros como o promovido pela Prefeitura ajudam justamente a oferecer elementos para que os homens compreendam melhor o momento atual e reflitam sobre suas próprias atitudes.
“Esses ensinamentos, esses treinamentos para a gente como pai, como servidor público, são muito importantes para a gente poder saber com o que a gente está lidando nessa sociedade atual. É muito importante até para a gente lidar com o público e como pai principalmente”, afirma.
Homens também precisam fazer parte da prevenção
A proposta do encontro foi levar a discussão aos homens. O tenente-coronel PM Thiago Monteiro Martins explicou que o projeto “De Homem para Homem” surgiu a partir de experiências realizadas em Palmas, com comandantes de batalhões trabalhando cenários de enfrentamento à violência contra a mulher a partir de dados estatísticos e da realidade das ocorrências.
Segundo ele, como a maioria dos crimes de violência contra a mulher é cometida por homens, as ações de prevenção também precisam alcançar esse público. Relatou ainda que nos fins de semana, é comum a maioria das ocorrências serem sobre violência doméstica. “A lógica buscada foi: se eu quero que a violência diminua, eu preciso alcançar esses homens. E os homens num sentido geral, não só aqueles agressores, mas a atuação preventiva”, explicou o Monteiro.
O projeto também propõe discutir comportamentos que podem ser naturalizados socialmente, como ciúmes, controle e desrespeito. “Muitas vezes são condutas que eram naturalizadas na nossa cultura e na nossa infância, com piadas de misoginia e situações do tipo ‘em briga de marido e mulher ninguém mete a colher’ ou ‘mulher gosta de apanhar’, por isso continua nesse ciclo”, afirmou o tenente coronel.
Secretaria da Mulher aposta na sensibilização
A secretária municipal da Mulher, Jocélia Alves, destacou que o enfrentamento à violência também precisa envolver quem pode praticá-la. Segundo ela, a violência contra a mulher não se limita à agressão física. Entre as situações que precisam ser reconhecidas estão as violências física, psicológica e patrimonial. “‘Eu sou o provedor da casa, o dinheiro é meu’. Isso é uma violência”, afirmou.
Discussão também chega à faculdade
A realização do encontro na Faculdade Católica Dom Orione aproximou o debate do ambiente acadêmico, especialmente dos estudantes do curso de Direito. O professor Dyego Pêssego destacou a importância de trabalhar a temática com os homens e de levar a discussão para a formação dos futuros profissionais.
“Precisamos conscientizar e tentar desmistificar essa cultura de agressão e violência, sendo importante ter essa base e conhecimento voltado para o homem. Vendo aqui o sucesso desta reunião, já conversei com o coronel para trazer também essa reunião para a faculdade”, afirmou.
( Ascom Prefeitura de Araguaína)
