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EM ARAGUAÍNA

Ex-usuário de drogas conclui estudo na prisão e hoje cursa o 8º período de Medicina: “Meu erro não me define, é apenas uma marca”

Wallace William da Costa foi preso em 1997, aos 18 anos, por tráfico de drogas e cumpriu pena, em regime fechado, na Penitenciária José Edson Cavalieri, em Juiz de Fora

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Drogas ilícitas! Paraíso repleto de prazer! Uma viagem agradável! Essa é a cruel realidade que conduz milhares de vidas no planeta terra. Um mundo de falsa cor rósea que foi vencido pelo o exdetento Wallace William da Costa, 47 anos, quando decidiu trocar uma cela protegida de aço reforçado pelos estudos.

Wallace foi preso em 1997, aos 18 anos, por tráfico de drogas e cumpriu pena, em regime fechado, na Penitenciária José Edson Cavalieri, em Juiz de Fora. Ele foi condenado a seis anos de reclusão. Quatro deles foram cumpridos, em regime fechado, naquela unidade penal.

A falta de liberdade começou a incomodá-lo. Seguro do que realmente queria, envolvido por um processo corajoso de encerrar um ciclo antigo, começou a escrever um novo capítulo na sua vida. Ele voltou a sonhar com novos horizontes, entre eles, ser médico.

O então usuário de drogas, voltou a estudar e dentro daquela unidade penal, concluiu o 2º grau. “Eu poderia continuar errando ou mudar. O caminho que encontrei foi por meio do estudo. Meu erro não me define. É apenas uma marca”, revelou.

Ao retornar para o mundo real, Wallace optou por fazer seu primeiro Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “Passei para engenharia mecatrônica no IF Sudeste e odontologia na UFJF. Foi quando percebi que eu poderia ter chances de passar em medicina”, diz Wallace, que optou por fazer outro Enem anos mais tarde.

Fase negativa

Disposto a apagar uma fase negativa e iniciar a vida com uma página totalmente em branco, Wallace, natural de Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira, desabafou. “Quando você bate no fundo do poço, você não tem mais para onde descer, então é onde você pega o impulso e sobe. Sempre há uma nova forma de ver a vida“, pontuou.

Primeiro vestibular

Ainda cumprindo a pena imposta pelo seu erro, ele prestou seu primeiro vestibular, em 2001, para medicina na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). “Só não passei por causa de dois pontos”, afirma.

Ele foi categórico ao afirmar que o seu sonho sempre foi compor uma equipe médica. Para concretizar esse desejo, ele deixou Minas Gerais e se mudou para o Rio de Janeiro. Enquanto isso, naquela época, ele se inscreveu em concursos públicos, onde foi aprovado em nove. Trabalhou em instituições renomadas, como, por exemplo, na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Orgulhoso, ele contou que percebia que seu currículo começava a ter peso.

Enfrentou preconceito

Ele contou para a equipe de jornalismo do Portal Araguaína a saga que enfrentou após deixar o presídio. Lembrou das dificuldades de encontrar empregos por ser um ex-presidiário. “Fiz um processo seletivo para um dos hospitais de Juiz de Fora e passei em todas as etapas. Um dia uma pessoa me perguntou se já tinha tido problemas com a Justiça. Falei que sim, mas que havia liquidado a dívida. Ela ficou de me ligar e até hoje nada“, contou decepcionado com o ser humano dito como infalível.

Tocantins

Wallace não desistiu, continuou acreditando no seu potencial e deu a volta por cima. Deixou sua terra natal e se deslocou para o Tocantins onde também enfrentou o preconceito quando tinha conhecimento da sua ficha policial. Já em solo do mais novo estado brasileiro, ele se submeteu a um vestibular, foi aprovado e, hoje, senta ao lado de tantos jovens na Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), em Araguaína, onde cursa o 8º período de medicina.

Meu sonho é me formar e ajudar outras pessoas. Quero que, pelo menos, um dia da semana seja dedicado à doação, do que eu sei fazer para outras pessoas. Independente se for em um presídio, um lar de idosos, centro de reabilitação e até mesmo para moradores de rua”, emocionado falou da sua nova conquista.

FAMÍLIA

O ex-usuário de drogas venceu o vício e ressignificou a própria história. Mas, para pertencer, no futuro, a um grupo de profissionais de saúde que trabalha com diagnósticos e tratamentos, foi necessário ficar longe da família. O futuro médico é casado e pai de quatro meninas. “Elas ficaram em Juiz de Fora. Não tenho condições financeiras de trazê-las para cá. Por isso, quero tentar uma transferência e voltar para junto delas”, contou na certeza de que essa etapa também será mais uma superação de obstáculos na sua nova vida.

Concurso para médico

Antes de finalizar a entrevista, Wallace fez questão de lembrar que, antes de se formar em Medicina no Estado, foi aprovado em um concurso para médico em uma cidade no interior de Minas de Gerais próximo onde reside sua família. “O concurso foi realizado no final de 2025 e homologado agora em abril de 2026. Ele tem validade de dois anos, podendo ser prorrogado por mais dois anos, tempo suficiente de concluir o curso de Medicina no Tocantins”, disse esperançoso de compor o quadro médico naquela unidade de saúde mineira.

(Da Redação)
(Foto: Divulgação)

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