ARTIGO DE OPINIÃO
Araguaína ganha mais voos para Brasília, mas conexão aérea com Palmas continua sendo uma necessidade
Professor Luis Boenergio destaca a importância de manter os voos entre Araguaína e Palmas e defende a união de autoridades e lideranças para fortalecer a aviação regional no Tocantins.
A boa notícia de que a GOL fará um ajuste em sua malha aérea, ampliando para quatro voos semanais diretos entre Araguaína e Brasília, é positiva e representa um avanço importante para a população e para o desenvolvimento econômico do norte do Tocantins, especialmente Araguaína. Entretanto, junto com essa conquista, surge uma preocupação: a perda da ligação aérea entre Araguaína e Palmas.
Manter esse trecho é fundamental para aproximar a maior cidade do norte do Tocantins da capital do estado, facilitando o deslocamento de empresários, profissionais, servidores públicos, estudantes e pacientes que precisam viajar com rapidez e segurança. Mais que isso, esse voo poderia se estender até Gurupi, atendendo, assim, às três maiores cidades do estado.
Araguaína tem demanda, importância econômica e localização estratégica para justificar uma solução que restabeleça essa conexão. Isso todo mundo sabe. Por essa razão, talvez seja o momento de nossas autoridades, lideranças empresariais, como a Associação Comercial e Industrial de Araguaína (ACIARA), e representantes políticos se unirem para dialogar com a LATAM, avaliando a possibilidade de operar o trecho com aeronaves de menor porte, como o Cessna Caravan, utilizado em operações regionais de curta distância.
É importante lembrar que essas ligações entre municípios vêm sendo realizadas desde agosto de 2020, a partir do lançamento da Azul Conecta, braço ultrarregional da Azul, resultado da aquisição da Two Flex, empresa que operava voos de passageiros para pequenos aeroportos em todo o país.
À época, a frota contava com 17 aeronaves Cessna 208 Grand Caravan, passando posteriormente a contar com 24 aeronaves Cessna 208B Grand Caravan.
“É sabido que a aviação regional cresce a cada dia e é uma grande esperança para a recuperação econômica brasileira, com viagens de negócios, puxadas principalmente pelo agronegócio, ou mesmo por turistas, que estão descobrindo novos destinos para explorar dentro do país”, afirmou um executivo da LATAM.
É claro que essa alternativa precisa ser avaliada tecnicamente, considerando custos, demanda e viabilidade operacional. Mas é justamente esse tipo de iniciativa que pode abrir caminhos para soluções eficientes e ampliar o desenvolvimento da região.
Não podemos comemorar a ampliação de uma rota e ignorar a perda de outra ligação tão importante para o Tocantins. Araguaína precisa continuar conectada a Brasília, mas também precisa estar ligada à sua própria capital.
O momento exige diálogo, articulação e visão de futuro. A conectividade aérea não é apenas uma questão de transporte, é um instrumento de desenvolvimento, integração regional e oportunidades para toda a população tocantinense.
(Por Luis Boenergio (Artigo de opinião)
