Delegado diz que governo atua no modelo “retrógrado” e mostra sua “ingerência” com a “força da caneta”

Na madrugada dessa quinta-feira o Diário Oficial do Estado trouxe mais uma medida polêmica envolvendo a estrutura da Polícia Civil

281

Na madrugada dessa quinta-feira, 7, o Diário Oficial do Estado (DOE) trouxe mais uma medida polêmica envolvendo a estrutura da Polícia Civil. O delegado e pré-candidato à Prefeitura de Palmas Hudson Guimarães avaliou o ato.

“O governo do Tocantins ainda não encontrou o melhor meio de dialogar com as classes. Essa gestão ainda se encontra atuando no modelo retrógrado retirando direitos básicos de categorias. Não dialoga e age com represália mostrando sua ingerência com a força da caneta.”

Segundo Guimarães, o conflito da Polícia Civil e o governo tem vários lados. “Um que busca a representação da classe apresentando à sociedade os culpados de diversos delitos e o outro lado, um governo acuado demonstrando a clara falta de jogo de cintura em lidar com situações adversas e totalmente legais”, ressaltou.

Perseguição
A medida do governo em relação à Polícia Civil foi criticada e recebida como uma forma de perseguir e frear os delegados que estavam relacionados ao combate à corrupção.

“Infelizmente, mesmo que não seja um ato de perseguição, são muitas coincidências. Todas as movimentações que o governo tem feito, após cada ação, deixa transparecer que seja, sim, perseguição. Um governo sério, sem temor nenhum de seus atos, deveria apoiar integralmente as investigações dando mais estrutura para que o combate ao câncer da corrupção, que tanto tem tirado vidas em hospitais e a oportunidades das pessoas viverem melhor, seja combatido, doa a quem doer. Ao contrário, o governo autoriza exonerações como essas, demonstra claramente que quer punir os delegados que estão à frente dos processos de investigação de crimes de corrupção hoje. Porém, o que precisa ficar claro é que nós, policiais, fomos treinados para buscar a correção dos atos errados da sociedade, o delegado sempre continuará sendo delegado e seu instinto de investigação continuará em seu DNA”, disse.

Guimarães acrescentou: “Somos um grupo jovem, que aportou no Tocantins recentemente. Hoje os delegados mais antigos no Tocantins têm no máximo 15 anos de atividade, não temos nenhum compromisso com grupos políticos, nosso compromisso é somente com a população que espera que possamos apresentar os melhores resultados. Com muita seriedade cumprimos com o nosso papel e estamos agindo na linha pela qual somos pagos para fazer que é a busca contínua para que os resultados que a população espera e merece sejam alcançados”, enfatizou.

Mudança pode provocar
Ele avaliou o que a constante mudança na estrutura da Polícia Civil feita pelo governo pode provocar. “Acredito que esses movimentos do governo são ruins para a própria gestão. Como você pode querer que a sociedade acredite em uma gestão manipuladora que aposta no castigo e não na orientação e diálogo? Cada vez mais o governo vai esticar a corda com a Polícia Civil e uma hora essa corda vai arrebentar. Hoje ela está arrebentando somente de um lado, mas ela pode quebrar do outro lado. O governo ainda não acordou para essa possibilidade”, alertou.

Guimarães comparou os atos da administração estadual à criação dos filhos. “Veja bem, se eu achar que vou educar os meus filhos somente com castigo, sem buscar um diálogo de aproximação e resolução dos conflitos, vou viver uma barra dentro de casa. Eu sou policial e minha esposa também, já imaginou levarmos nossa vida familiar somente com os preceitos da academia? Meus filhos fugiriam de casa (risos)”, justificou.

Nova delegada
Guimarães também avaliou uma delegada novata do último concurso assumir o lugar do delegado Fernando Rizério, já que ele é um profissional experiente. “Não vejo a questão da delegada ser novata como um impedimento; todos nós somos capacitados e entendo que a conclusão da academia nos gabarita para assumirmos o posto que nos é indicado. Porém, o que se espera é que tenha atitude e seja uma pessoa disposta e determinada a rapidamente se inteirar das demandas do Estado, com as investigações que já estão em curso, os procedimentos que estão sendo tomados e dar celeridade e apoio total a isso, não esperamos qualquer atitude que não seja essa. Caso contrário, como já comentei, vamos ter o samba do crioulo doido… Cada um indo para um lado e, assim, travando e prejudicando o andamento dos processos investigativos com a morosidade eterna, deixando evidente o interesse desejado dos responsáveis pelos atos da última quarta-feira que, em uma só canetada, afastou todos os delegados que atuavam no combate aos crimes de desvio de dinheiro da administração pública”, lembrou.

Pré-candidato
Como pré-candidato à prefeitura da mais jovem capital do país, Guimarães deixou um recado para os palmenses em relação à segurança. “Eu acompanho o orçamento de Palmas, sei o que é possível e o que é obra de ficção na cabeça dos políticos profissionais. Meu grande objetivo é mostrar que Palmas, uma capital jovem e moderna, tem todo o perfil para aderir às mais avançadas tecnologias de segurança e orçamento tem para isso; basta priorizar o que é o essencial à população que, além da segurança, precisa de serviços públicos de qualidade nas áreas da saúde, educação, cuidar melhor da nossa gente, dar atenção que ela espera”, disse.

Segundo ele, é inadmissível gastar R$ 56 milhões com tendas e não ter dinheiro para implantar um sistema moderno e funcional de câmeras de segurança com tecnologia OCR. “Ajudaria as forças de segurança que atuam em nossa Capital a combater o crime. O bandido antes de cometer um delito, pensaria duas, três vezes antes, pois saberia que seria identificado e aonde ele fosse, em qualquer canto da cidade, seria facilmente localizado pelo rastro que deixado nos pontos monitorados. É necessário valorizar mais o trabalho da nossa guarda metropolitana, dando a ela modernos equipamentos, sistemas, treinamentos e fazer um concurso público para atender à demanda. Isso é possível, temos muitos exemplos do sucesso em outras cidades pelo país”, justificou.

Aberto ao diálogo
Guimarães afirmou que é aberto ao diálogo, a favor da capacitação e da meritocracia. “Palmas está em um momento em que não podemos cometer os mesmos erros das grandes capitais que deixaram os problemas urbanos tomarem proporções gigantescas para depois buscar uma reorganização e soluções. Temos que dialogar com a sociedade organizada para definir as prioridades e executar o que for definido de maneira transparente, para que o cidadão, os vereadores e os órgãos de fiscalização possam acompanhar, fiscalizar e cobrar. Não podemos dar espaço para os jeitinhos e vícios de gestão pública sem compromisso deixando para depois as prioridades definidas e colocando na frente os arranjos e atos que beneficiam somente determinados grupos em detrimento ao que foi definido para beneficiar a população em geral”, disse.

Continuou: “Nossos funcionários públicos terão um papel fundamental para levar à população nada menos do que a excelência dos serviços púbicos, recompensando-os pela meritocracia, dando-lhes qualificação contínua. Temos o dever de dar à população a qualidade e eficiência que todos sempre almejaram da administração pública e que, nesses 30 anos, nunca conseguimos ter. Um planejamento é feito para ser seguido, não podemos perder energia, tempo e credibilidade em dar à população dos quatro cantos de Palmas o que ela tanto anseia, principalmente, quando uma pessoa de fora da política de mudar os rumos de uma gestão que não tem dado às pessoas o orgulho necessário em morar na nossa capital”, criticou.

Determinação
O pré-candidato afirmou que tem determinação e que sua história de vida conta isso. “Demorei muito para ingressar na faculdade, saí do sertão do Piauí para Goiânia em busca de melhores condições de vida, defini que minha meta era ingressar na Polícia Civil, passei a me dedicar diuturnamente para alcançar meu objetivo, com muito esforço, sofrimento e dedicação eu consegui. Moro há 11 anos aqui, escolhi viver com a minha família e criar os meus filhos em Palmas. Moro aqui por opção e não por obrigação. Isso me motiva, me dá forças para continuar a minha missão, convivo diariamente na delegacia com o resultado da omissão dos nossos gestores, as mazelas sociais são impressionantes, minha atuação, como delegado, me limita a ajudar o quanto eu gostaria”, revelou.

Ele disse que compreendeu que, somente através da política, é possível mudar os rumos do momento vivido. “É a oportunidade de trabalhar de forma mais abrangente para a população, enfrentando dificuldades e desafios ainda maiores. Tenho a lei no meu sangue e isso não mudará, irei combater a corrupção sempre, não deixarei que ela se impregne; dentro da lei usarei as armas que tiverem ao meu alcance, e, por parte da população, espero que ela use a maior arma de todas que é o voto para combater os bandidos de colarinho branco com o poder da caneta que são tão perigosos quanto os bandidos com uma arma de fogo na mão”, garantiu.

Redes sociais
O delegado e pré-candidato à Prefeitura de Palmas usa muito as redes sociais onde coloca frases de impacto. Confira algumas:

“Muitos acham que apenas os delegados foram prejudicados com as remoções. A sociedade foi a mais atingida, sem a expertises dos delegados especialistas em corrupção. O “samba do criolo doido” pode franquear a impunidade de criminosos e incentivar novos atos de corrupção”

“Bandidos de colarinho branco com o poder da caneta são tão perigosos quanto os bandidos com uma arma de fogo na mão”

“A corrupção tem que ser combatida por todos e o melhor remédio para isso é o poder do seu voto. #mereceflagrante. #TOsemcorrupção”

“Precisamos repensar a função do Estado. Cidadão deixar de usar cinto de segurança é multado. Governante, age contra o interesse público, troca delegados capacitados que combatem a corrupção e evitam que milhões sejam desviados, alega conveniência administrativa. Não há punição”

(Por Raimunda Costa)

COMENTÁRIOS FACEBOOK