Após morte de filha, mãe denuncia suposta “negligência médica” na UPA e pede justiça

Gardênia Pereira Gonçalves contou que Karyne Gonçalves Ramos deu entrada no dia 16 de setembro na UPA

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(Foto: Arquivo pessoal)
Foto: Arquivo pessoal

Visivelmente emocionada, Gardênia Pereira Gonçalves, de 30 anos, procurou o Portal Araguaína Urgente, para denunciar suposta “negligência médica” em uma das Unidades de Pronto Atendimento (UPA) de Araguaína, após a morte da sua filha, Karyne Gonçalves Ramos, de 1 ano e 11 meses.

Segundo a mãe, no dia 16 de setembro, vomitando muito e com febre, a pequena tocantinense deu entrada na UPA. “Lá ela foi atendida e medicada com dipirona na veia e tomou soro. Minha filha fez exame de sangue onde foi apontada uma alteração. Contudo, a médica que atendeu disse que ela tinha apenas uma infecção de garganta, que não ia passar antibiótico, que não era nada grave e deu alta para minha filha e nos mandou para casa. Mas o estado dela piorou e, no mesmo dia, eu voltei com ela para UPA”, contou.

Gardênia relatou que, ao chegar na unidade de saúde, a médica, que teve o nome preservado, deixou Karyne em observação. “No dia seguinte (17 de setembro), minha filha começou a vomitar sangue vivo e, em seguida, um sangue preto. Desesperada, eu gritei dizendo que ia chamar a televisão e a polícia, caso ela (a médica) não transferisse a minha filha para o hospital municipal. Foi quando ela ficou com medo e providenciou a transferência. Minha filha teve várias paradas cardíacas dentro da ambulância e chegou no hospital municipal em estado grave, onde veio a óbito”, relatou a mãe.

Gardênia afirmou que tiraram a sua alegria de viver. “Ficar sem a filha é uma perda muito grande. Tiraram a minha alegria de viver e a alegria da minha casa. Tiraram o bem mais precioso do mundo que foi a vida da minha filha. Nunca mais vou ouvir minha filha cantar os hinos da nossa igreja. Eu tenho outra filha, mas nenhum filho substitui o outro. Cada um é cada um”, disse muito emocionada.

Gardênia disse que quer justiça. “Já fiz o Boletim de Ocorrência e denunciei o caso no Ministério Público. Agora só falta denunciar no CRM. Eu quero justiça. Quero que a médica que atendeu a minha filha pague pelo que fez. Não quero que a justiça seja cega no caso dela (Karyne) como é em outros casos. Minha filha não foi a primeira criança a passar por negligência médica. A médica tirou a vida de uma criança que tinha tudo pela frente. Eu quero justiça. A dor é insuportável”, contou lembrando que aguarda o laudo do IML para saber a causa da morte de Karyne.

Ela completou. “Quero que a justiça acorde para os pobres também. Do jeito que eu estou chorando tem muitas mães que sofrem pela perda de seus filhos por negligência. Os médicos não fazem questão quando uma pessoa procura a UPA. Para eles somos iguais a cachorro. Eles não nos tratam com amor e respeito. Eles não fazem nada pelo ser humano na UPA”, criticou.

O pai
A equipe de reportagem também conversou com Natal Silva Ramos, 49 anos, pai de Karyne. “Não consigo mais trabalhar. Está sendo muito difícil. Choro muito com a falta da minha menina. Pela minha idade, eu pensei que não fosse mais ter filhos. Mas Deus realizou meu sonho me dando minha filhinha. Quero justiça em memória dela, pois foi muita injustiça por parte da UPA. Foi muito pouco caso que a médica deu para o estado de saúde que minha filha se encontrava. Ela era minha única filha”, disse muito emocionado Natal.

O que diz o Instituto Saúde e Cidadania (Isac)
“O Instituto Saúde e Cidadania-ISAC, responsável pela gestão da Unidade de Pronto Atendimento de Araguaína (UPA 24 horas), esclarece que a criança citada na reportagem foi submetida a todos os protocolos internos nos dois momentos em que a paciente deu entrada na unidade (classificação amarela, exames clínicos, exames laboratoriais, exames de imagem e medicação), não sendo identificado qualquer nível de negligência durante todo o atendimento, conforme análise crítica feita pela Comissão de Revisão de Prontuário.

Ressaltamos que a UPA é uma unidade de pronto atendimento e que o período de avaliação do paciente é de até 24 horas, havendo transferência mediante piora do quadro, conforme ocorrido com a paciente em questão, que foi referenciada ao Hospital Municipal de Araguaína.

No HMA, a criança foi recebida e encaminhada para a ala de Estabilização, onde o atendimento foi feito seguindo todos os protocolos. A paciente então foi transferida para a UTI Pediátrica, onde veio a óbito.

Informamos ainda que os familiares podem ter acesso aos prontuários para verificação de todas as etapas do atendimento”.

(Por Raimunda Costa)

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