Agrônomo alerta os produtores rurais sobre a importância da qualidade dos fertilizantes

Esses insumos, denominados adubos, participam com cerca de 20% até 25% dos custos de produção das culturas, principalmente quando ocorre o cultivo em solos de baixa e média fertilidades

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Foto: Divulgação

A necessidade de uso de fertilizantes na agricultura brasileira é uma tarefa fundamental, essencialmente para solos de baixa fertilidade com pouca reserva de nutrientes, havendo necessidade de aplicação contínua deste insumo para atingir produtividade economicamente viável.

De acordo com o doutor em Produção Vegetal, pela Unesp Campus de Ilha Solteira, Danilo Marcelo Aires dos Santos, esses insumos também denominados adubos, participam com cerca de 20% até 25% dos custos de produção das culturas, principalmente quando ocorre o cultivo em solos de baixa e média fertilidades.

“Segundo o Boletim Técnico 208 do Instituto Agronômico de Campinas, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP (Cepea) publicou alguns trabalhos que demonstram que os fertilizantes na produção de soja e milho podem atingir 30% do custo total da produção. Esse fato justifica o produtor estar atento com a qualidade dos fertilizantes adquiridos”, disse o, também, professor do curso de Engenharia Agronômica da Unitins.

O engenheiro agrônomo questiona então: Mas por que devemos realizar análise do fertilizante? “É importante para que se tenha certeza de que o produto adquirido proporcionará boa nutrição das plantas de forma que não prejudique o desenvolvimento vegetal e a fertilidade do solo”, explicou.

Segundo o professor, é muito comum ouvir que “adubo é tudo a mesma coisa”. “Essa expressão, se foi alguma vez verídica, coube no passado quando as empresas de fertilizantes tinham poucas fontes de diversidade de matéria prima para produção dos adubos. Nos dias de hoje a produção de fertilizantes evoluiu e implementaram tecnologias na fabricação destes insumos, além de contar com uma maior diversidade de matéria prima, o que promove uma diferenciação na qualidade química, física e na maneira em que os nutrientes serão disponibilizados para a planta”, enfatizou o ex-gerente técnico da Nutriplant, em Barueri (SP).

Recentemente, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT) divulgou que, no projeto Circuito Tecnológico Etapa Soja, foram coletadas amostras de fertilizantes dentro de quatro regiões do Estado e 31,9% das amostras foram reprovadas.

“Todas as amostras foram realizadas por laboratórios credenciados, o que comprova que os fertilizantes não são iguais, há muita discrepância entre os produtos que estão no mercado e não devemos nos preocupar somente com adubos via solo; adubos foliares também merecem nossa atenção. Assim como ocorreu nos adubos de solo, houve um avanço também nos fertilizantes foliares, principalmente quanto à matéria prima, solubilidade e absorção desses produtos, devido às associações de substâncias precursoras que facilitam a assimilação desses produtos pelas plantas, vale ressaltar que a adubação foliar não deve substituir a adubação via solo, os fertilizantes foliares devem ser utilizados como complementação”, ressaltou Santos.

De acordo com o agrônomo, é importante salientar que há considerável volume de comércio de fertilizantes no mercado paralelo; esses produtos custam em torno de 40% menos que o produto devidamente registrado. “Esses produtos ilegais não são avaliados pelo crivo do Mapa, Anvisa e Ibama e, assim, não há garantia da qualidade do produto, ou seja, não havendo a comprovação adequada do fornecimento dos nutrientes para planta, acarretará baixas produtividades, além do risco da presença de substâncias contaminantes/tóxicas”, afirmou.

Conforme Santos, no site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), apresenta apenas, pelo menos até a redação deste texto, há apenas laboratórios credenciados para análise de fertilizantes nos estados do Rio Grande do Sul e São Paulo. “Portanto, é aconselhável que o produtor rural procure estar sempre bem informado e consultar técnicos de confiança que também devam estar atualizados e bem informados para recomendar produto de qualidade e conforme as necessidades do solo e da cultura do agricultor”, justificou.

Por fim, o agrônomo enfatizou que o uso dos fertilizantes químicos minerais, traz danos ambientais, podendo contaminar rios, nascentes, atingir lençol freático através da lixiviação, provocar desequilíbrio no solo e é de responsabilidade do produtor e dos técnicos que atuam no campo garantir o uso da melhor forma e adquirir produtos de alta qualidade, minimizando o risco ao ambiente e promovendo produtividades satisfatórias.
(Por Raimunda Costa)

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