Após suposta negligência médica, mais uma mãe procura o Araguaína Urgente e faz denúncia

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Mais uma denúncia contra a UPA de Araguaína foi feita ao programa Araguaína Urgente, transmitido pela filiada da Band de Araguaína, TV Amazônia Canal 10. A professora Cristiana Pereira Costa, mãe de Adrian Pereira dos Santos, relatou que o filho se sentiu mal entre os dias 24 e 25 de outubro e que o levou para aquela unidade de saúde.

“Eu vim de Araguanã. Meu filho passou mal à noite e teve febre muito alta. Cheguei na UPA procurando melhorias para meu filho. Chegamos 2 horas da tarde, mediram a febre dele e deu 39.2 º e fiquei aguardando atendimento. Depois de 1 horas de espera, ele estava com a pulserinha amarela, me chamaram e o médico atendeu”, contou a mãe.

Durante a consulta, a mãe contou que relatou ao médico o mal-estar do filho. “Contei para ele que meu filho passou a noite virando de um lado para o outro, suando frio, que não chorava, não gemia, com febre muito alta e querendo ficar com falta de ar. Que tinha também passado a noite impaciente. Eu contei também que o nenê tinha nascido com sobro e estava com um cansaço inexplicável”, disse.

Cristiane continuou. “Eu disse para o doutor que meu filho estava fraco, que mamava e vomitava em seguida. Eu pedi que internassem meu filho, mas ele disse não tinha necessidade. Contei que o nenê não estava fazendo xixi, colocaram o coletor e ele não urinou. O médico passou a sonda e coletou a urina. Ele pediu também um exame de sangue e um raio-x da barriga do meu filho e mandou que ficasse no corredor esperando”, relatou.

A mãe contou que ficou aguardando o resultado dos exames. “Depois de um tempo, perguntei para a moça se meu filho não seria mais atendido e ela disse que tinha que aguardar o resultado dos exames. Informei que a febre dele não tinha baixado, foi então que perguntou o nome dele e, após eu fornecer, ela disse que iria aplicar uma dipirona na veia do meu filho”, afirmou.

Ainda, segundo a mãe, após a criança ser medicada com a dipirona começou a suar muito. “Ele ficou impaciente, não conseguia ficar de pé, não sentava, ficou rolando de um lado para outro na cama. Ficou com muita sede. Ele começo a pedir peito. Meu filho cada hora piorava. Foi quando pedi ao médico que passasse um soro para o meu filho, mas ele disse que não era necessário, pois soro era água. Mesmo diante disso, pedi que aplicasse, pois meu filho estava fraco. Ele mandou aplicar então e prometeu que antes de sair do plantão iria ver meu filho e nem lá passou”, afirmou.

Cristiane relatou que uma médica disse que Adrian não precisava ficar internado e o liberou. “Mas eu disse que meu filho não estava bem. Ela disse então que o médico havia liberado. Voltei para o quarto e pedi para a moça tirar o gel do braço dele e fui embora. Chegamos em casa por volta das 10 horas, meu filho teve outra crise de vomito e começou a tremer. Levei ele então para o hospital de Araguanã. Quando a enfermeira viu meu filho pediu que chamassem a ambulância imediatamente para levá-lo para Xambioá. Quando dei entrada no hospital, ele começou a vomitar sangue. De lá ligaram para hospital municipal de Araguaína perguntando se tinha vaga na UTI. Colocaram oxigênio no meu filho, enquanto aguardamos a ambulância para levar meu filho para Araguaína”, contou a mãe.

Ainda no hospital de Xambioá, segundo a mãe, o médico solicitou um raio-x do tórax da criança e o resultado foi pneumonia. “O médico lá disse que foi muito irresponsabilidade da UPA liberá-lo e o certo seria transferi-lo para o hospital municipal, pois meu filho não estava bem”, disse.

Criatiane contou que conseguiram vaga no hospital municipal de Araguaína. “Demos entrada às 6h20 e meu filho vomitou sangue preto. Eles correram com meu filho e o entubaram. Eles não encontraram nenhuma veia, então colocaram um cateter no pescoço dele para que recebesse as medicações. Em seguida ele teve uma parada cardíaca por volta das 7 horas do dia 26 de outubro”, contou muito emocionada.

Paara a mãe se o “médico da UPA tivesse tido outro comportamento” poderia estar com o seu filho. “Se o médico tivesse tratado o meu filho de outra forma, ele poderia estar vivo. Hoje não estaríamos com a dor que estamos sentindo. Minha casa não é a mesma depois que meu filho morreu. Meu filho nunca mais vai voltar. Só as lembranças dele que ficaram. Meu filho foi a óbito na quarta parada cardíaca”, disse.

Emocionada, a mãe disse que quer justiça. “Quero justiça. Não quero que outras mães passem pelo que passei. Se a UPA não queria atender meu filho, poderia ter encaminhado para o hospital municipal. O médico da UPA sabe o que ele fez. A consciência dele vai pesar e a mão de Deus também na cabeça dele. Meu filho era uma criança inocente e não um animal. Ele não foi a primeira criança que morreu por negligência médica da UPA. Quero que as autoridades investiguem o caso”, pediu.

Outro caso
Gardênia Pereira Gonçalves, mãe de Karyne Gonçalves Ramos, de 1 ano e 11 meses, procurou o Portal Araguaína Urgente e denunciou suposta negligência médica após a morte da sua filha.

Segundo a mãe, no dia 16 de setembro, vomitando muito e com febre, a pequena tocantinense deu entrada na UPA. “Lá ela foi atendida e medicada com dipirona na veia e tomou soro. Minha filha fez exame de sangue onde foi apontada uma alteração. Contudo, a médica que atendeu disse que ela tinha apenas uma infecção de garganta, que não ia passar antibiótico, que não era nada grave e deu alta para minha filha e nos mandou para casa”, disse.

O que diz o Instituto Saúde e Cidadania (ISAC)

“A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Araguaína Sul informa que o paciente citado na reportagem deu entrada na unidade no dia 25 de outubro, por volta das 14h45. Durante a classificação para atendimento, a mãe relatou que a criança apresentava febre e vômitos há três dias e sem evacuação. O paciente apresentou quadro de febre (39,2⁰) e foi classificado com a prioridade amarela.

O atendimento no consultório médico aconteceu às 15h20, momento em que a mãe informou as mesmas queixas e ainda a ausência de tosse.

A criança foi medicada e realizou exames. Na sequência, foi conduzida ao leito de observação.

Às 19h49, o médico plantonista reavaliou a criança. Às 20h39, a equipe evoluiu a criança, que seguiu sem novos episódios de vômitos e febre e a mãe relatou que o paciente não tinha mais queixa de dor abdominal.

Às 20h49, o médico reavaliou a criança na Observação e, diante do quadro sem nenhuma alteração, concedeu alta com orientações e receita médica.

A UPA reforça que,diante do exposto no prontuário médico, todo o protocolo clínico de atendimento foi seguido corretamente, sem qualquer intercorrência durante a permanência na unidade.

As informações prestadas foram extraídas do prontuário médico,que se encontra disponível no arquivo e à disposição do responsável legal do paciente.

A direção da unidade ressalta, ainda, que o paciente deu entrada na UPA por demanda espontânea, ou seja, não referenciada pelo município de origem, porém a unidade atende todos os usuários que buscam o atendimento de forma direta, estabilizando o paciente e orientando para os demais procedimentos.”

(Da Redação)

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